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José Virgolino de Alencar Virgolino

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Gosto de literatura, prosa e poesia, cinema, teatro, esportes, humor, economia, política, jornalismo, debates sobre idéias filosóficas e religiosas. Frase própria: Quando o ideal não for possível, faça do possível o seu ideal.
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Arte e Cultura

BLOG DE JOSÉ VIRGOLINO DE ALENCAR
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May 14

Artigo

 

Drogas: a ilegalidade da marcha
 
Particular e sinceramente, eu não sei onde está a hipocrisia,  de que tanto falam, no tratamento do caso das drogas. Se o sistema de repressão é ineficiente, acho que se deve lutar para  eficientizá-lo e torná-lo eficaz no combate ao crime. A raiz do problema é o crime hediondo, com o qual a sociedade não pode contemporizar. A "Marcha da Maconha", onde desfilarão usuários que são vítimas de um sistema, igualmente desfilarão os traficantes, seus laranjas, seus comparsas e quantos queiram fazer a apologia do crime. Isso não é aceitável, é caso de polícia.
 
O debate, as discussões, têm que caminhar pelo lado  técnico- científico, profissional-especializado, quanto à assistência extremamente necessária a ser oferecida a quem, induzido pelos criminosos, caiu no vício e na dependência da droga. Não é coisa para passeata, para movimentos públicos,  é coisa para fóruns apropriados,  e tem bastante, tanto no Brasil, como no mundo inteiro, já que o problema é universal.
 
A maconha e seus derivados não podem ser comparados com outras distorções da vida que, embora não recomendáveis,  não têm o poder destrutivo das drogas que viciam e transformam o dependente, literalmente, em monstro. O processo de reversão, em pouquíssimos casos, é traumático, desgastante, assombroso, e só quem sentiu e conseguiu dar a virada na vida é que pode demonstrar o mundo negro que é ter um ente familiar metido nessa coisa.
 
A necessidade é de frear o sistema criminoso. O menor estímulo e liberdade que se dê, causará um prejuízo à sociedade de difícil retorno. É uma torneira a ser fechada, apertada e não deixar sequer um pequeno vazamento de ar. Qualquer espirro da torneira, tal como na canalização d'água, só aumentará o preço e a conta a ser paga, no caso das drogas, pela sociedade.
 
A marcha tem que ser proibida, porque se enquadra perfeitamente nos impeditivos legais do normativo institucional brasileiro. Se é ilegal, à luz expressa da lei, é proibido e a desobediência deve ser punida. Não se pode afrouxar o combate em questão profundamente corrosiva para a vida da sociedade. Combater o crime é obrigação, tal qual assistir às vítimas da tragédia.
 
Não há hipocrisia nesse caminho, que está em consonância com o que quer e precisa a sociedade:

Um mundo limpo dessa sujeira! 
 

Artigo

 

Notas Econômicas

Na maioria dos países do mundo, governo e mercado estão associados institucionalmente, mas, na questão operacional, no modelo de gestão, o mercado é dissociado do governo, cada um tendo um papel no desenrolar das ações que direcionam os caminhos de uma nação.

O governo é ente político, o mercado é ente econômico, e os dois segmentos costumam andar em caminhos paralelos que nunca se encontram. Contudo, um fenômeno pode se notar nesse contexto. Quando a economia anda bem, impulsionada pelas forças do mercado, o governo monta nesse cavalo que passa selado e fatura a popularidade decorrente da boa situação econômica. Quando as coisas começam a desandar, o governo, através de seu gerente maior, desmonta rápido do cavalo e começa a atirar culpas pra todo lado.

Um exemplo não tão distante ocorreu com o Plano Cruzado, um projeto do mercado que no início parecia ser a salvação da lavoura nacional e levou Sarney à condição de estadista, de líder maior da nação, faturando politicamente, fazendo até com que o seu partido, o PMDB, elegesse a grande maioria dos governadores nas eleições do ano do Cruzado.

Quando o barco começou a fazer água e os ratos de sempre começaram a saltar para outras águas, Sarney botou a boca no trombone e indicou culpados em todas as direções, passando a eleger não mais candidatos, mas bodes expiatórios que levaram nas costas os pecados do Cruzado.

O modelo econômico atual e o governo brasileiro estão vivendo ou revivendo a circunstância recorrente em que o mercado produz resultados econômicos que, embora passem por muitos questionamentos, levam o chefe de governo, que a tudo assiste do trono, a faturar politicamente o que recebe no colo, os prontos e acabados  frutos plantados pelo mercado. É assim no Brasil, é assim na maioria das nações. Pra ser realista, besta seria Lula se não fizesse aqui o que se faz também alhures.

A política de juros é um exemplo da relação dissociada entre governo e economia, mas que o governo aproveita para festejar. Mas há um equívoco na festa. Os juros não são nada baixos, porque a avaliação não está no percentual em si(11,5%), mas no fator da ponta, ou seja, no número de vezes que a taxa contratada representa em relação à taxa básica, como também comparadas(Taxas básica e de ponta) à inflação. Fixada em  11,5% ao ano, com inflação de 4,0%, significa um multiplicador de quase 3 vezes a taxa de variação média dos preços, sendo, assim, uma das mais altas taxas reais do mundo, superiores, inclusive,  a muitas republiquetas bananas da América Latina.

A taxa básica de juros de 11,5%, aprovada pelo Copom, soa ainda como história para boi dormir. No mercado, a menor taxa, do crédito pessoal consignado, passa dos 40%, representando quase 4 vezes a taxa básica e 10 vezes, ou 1.000%, a inflação anual. Isto é um escândalo e nunca um resultado a se comemorar. Nem falo do cheque especial, nem dos juros dos cartões de crédito, porque definitivamente estragaria o dia do leitor.

Agora, sim, é que os banqueiros estão ganhando os maiores juros reais do mundo e, pior, pagos com o superavit primário obtido com o dinheiro da educação, da saúde, da segurança, da previdência, da infraestrutura, seja, com a entrega ao capital das finanças do país.

A economia é coisa complexa, e sua avaliação exige cuidados, tais como o médico com seu paciente. Não há verdade absoluta em economia e são muitas as escolas, cada uma com uma teoria, com sua cartilha, com sua filosofia. Entender o comportamento do mercado, suas leis naturais, seus manuais, e não cair no empirismo, não é tarefa simples, sendo inclusive precipitado festejar ou demonizar os modelos a partir da publicação de alguns dados estatísticos frios, às vezes de fontes duvidosas.

Dessas notas acima, conclui-se que pouco se pode destacar como fruto de ação do governo, já que a maioria dos fatos econômicos vem da correia de transmissão do mercado mundial quase unificado, globalizado, e que também não é coisa para manifestações de júbilo, porquanto há um crescimento concentrador de riqueza, predador do emprego, corroedor da renda do trabalho, ou seja, injusto e desigualitário.

Os pontos negativos desse sistema não é culpa do governo, mas da própria estruturação do mercado mundial, assim como também o fato positivo de crescimento econômico é mera decorrência do mesmíssimo sistema, onde o governo é beneficiário e não ente beneficiador.

Essa, sem pretensões de ser a verdade absoluta,  é a forma de andamento da carruagem da economia. Um dia tem cenário de oásis e outro de  deserto. Assim, pode-se até fazer festa no oásis, mas com cuidados. Preparado deve-se estar para enfrentar o deserto.

 

Artigo

 

Governo ruim - Oposição pior

Nestes 119 anos de República, a literatura a respeito é vasta, os governos sempre tiveram oposição cerrada, às vezes competente e vigilante, às vezes incompetente e outras vezes apenas golpista. Foram muitos os períodos traumáticos para o país em razão da acirrada batalha entre governo e oposição. Faz parte do jogo democrático a rotatividade no poder, não sendo de estranhar que sempre exista a discordância política.

Contudo, à medida que o tempo passa, o Brasil vai contando cada vez mais com governos pouco produtivos e com oposições incompetentes e sem autoridade moral para o combate, sem credibilidade junto à sociedade, que fica, enfim, sem representatividade para ecoar e reverberar a cobrança cidadã, para mostrar ao governo os desvios de caminhos e os equívocos nos modelos de gestão.

É o que está ocorrendo no período atual no Brasil, onde o governo vai tocando o dia a dia da administração, de forma meramente burocrática, sem projeto de longo prazo para a nação, sem construção dos pilares de sustentação do desenvolvimento, limitando-se a caminhar para onde os ventos do mercado levarem a economia. Não há qualquer sustentabilidade para o futuro do país dentro do modelo que se pratica, cuidando-se do agora, do hoje, e o amanhã fica entregue a Deus, a quem pertence o futuro.

O grave nesse contexto é não ter oposição séria, com autoridade moral, repito, com credibilidade. O grupo que se juntou ocasionalmente para ser o representante da sociedade na vigilância da ação do governo, não é nada mais do que uma súcia de politiqueiros que passaram pela gestão pública, nada fizeram, aliás, para falar a verdade, desconstruiram o Brasil, desmontaram as estruturas vitais da nação.

No exercício de representação popular,os  integrantes da oposição portam-se em total dissonância com as reais demandas da população, ficam de ouvidos moucos às questões cruciais, direcionando seu discurso oposionista à imediatista luta pelo poder, preocupando-se diuturnamente em querer apenas destruir o governo, desqualificando o que efetivamente está correto, ficando como baratas tontas ao tentar combater o que possa estar errado, por faltar-lhe condições para opor-se aos erros que eles próprios cometeram quando tinha o poder nas mãos.

Todas as CPI’s instaladas ao longo do período do governo petista, em que pese serem clamorosos os fatos criminosos a se apurar, a oposição fez carnaval fora de época, fez mero desfile ressacado de quarta-feira de cinzas, tal como o bacalhau do batata de Olinda, que não empolga os foliões. A oposição, com esse comportamento, facilitou o trabalho de abafa dos governistas, que  deitaram e rolaram e tudo terminou em nada, tão chochamente, que nem pizza foi servida no desfecho.

Enfim o Brasil vive a triste situação de ter um governo ruim e uma oposição muito pior. Há correntes lulistas assombradas com a possibilidade remota de golpe, que não passa disso mesmo, assombração. A oposição política não tem meios de empinar movimento golpista, porque não encontrará apoio das massas, que nela não confiam, ou melhor, dela desconfiam.

A pequena banda esclarecida da sociedade, que não apóia e até combate o governo, é formada por pessoas que não têm a menor vocação para golpe, sendo, ao contrário, contra golpes nas instituições, mesmo que a democracia brasileira seja tênue, onde o modelo econômico é injusto e desigualitário, há uma grande massa desassistida, mas não vejo comoção que justifique golpe.

Para essa banda esclarecida, composta por um segmento que gosta da opinião livre, a expressão de idéias sem peia, sem censura, defender golpe seria um tiro no pé, ou rolha na boca, cassando a arma de que dispõe: a palavra. Portanto, desassustem-se os lulistas, porque, se depender de golpe da oposição que aí está, Lula não descerá do trono.

Se não aparecer uma corrente e uma liderança capaz de vencer Lula nas urnas, e no cenário atual brasileiro não se vislumbra, então ele, o presidente, tem chances de permanecer intocado. Essa falta de opção não é do meu agrado, mas confesso que não vejo liderança em quem acreditar que tenha um projeto nacional a impulsionar o Brasil pra frente, de modo que ficar como está já não é para mim nenhum tormento. São apenas sacolejos suportáveis.

Pelo menos, para consolo, posso continuar exercendo a cidadania, mostrando o inconformismo, criticando o que entendo errado, sem intenções de defenestrar, pela força, o comandante da nação.

 

Artigo

O  jovem e surpreendente Padre Fábio de Melo

 

Navegando pela TV a cabo, buscando programas que valham a pena assistir, sempre dou uma paradinha nos canais religiosos cristãos Rede Vida e Canção Nova.

Além das mensagens cristãs, os canais apresentam programas musicais, onde despontam, por exemplo, Padre Antônio Maria, Padre Zezinho, Padre Marcelo e outros.

Certa vez, na Rede Vida, aparece como convidado do Grupo Cantores de Deus um jovem padre, com jeito tímido, simples, sem qualquer rasgo de estrela. Ouvi, mas o jeito até humilde do novo sacerdote não foi suficiente para atiçar a curiosidade em torno de suas músicas.

Pouco tempo depois, vejo novamente o jovem padre pregando e cantando, na Canção Nova. Aí já deu para sentir o valor, a competência e preparo do sacerdote ainda com seu jeito humilde. Esse jovem padre, que se revelou bom cantor e inteligente pensador, é o jovem e surpreendente Padre Fábio de Melo.

Digo surpreendente, porque, somente depois de assistir  ao seu show no Clube Cabo Branco, aqui em João Pessoa, e ler seu importantíssimo livro “Quem me roubou de mim?”, foi que descobri a real dimensão do Padre Fábio de Melo, um artista cristão no palco, com simpatia e empatia com o público, um intérprete seguro das canções que abrangem um extenso leque de estilos e ritmos.

No livro, descubro um escritor, um filósofo, um teólogo, um pensador profundo, inserindo a Igreja Católica num contexto da era moderna, como a queria João Paulo II.

“Quem me roubou de mim?” faz um paralelo entre o seqüestro do corpo e o seqüestro da subjetividade da pessoa. Ter a subjetividade seqüestrada é um fato presente no ser humano e que a gente não percebe. Somos seqüestrados subjetivos, nos subjugamos a torturas, angústias, tormentas mesmo, e não sentimos que somos  vítimas de insidiosos seqüestradores que nos encarceram na “cela” de nossa própria alma.

O tema desenvolvido pelo Padre Fábio de Melo, com uma perfeição conceitual e clarividência de idéias, deixa-nos atônitos, no primeiro momento, reflexivos depois, para enfim observar-se e reconhecer essa “realidade” psico-espiritual do seqüestro da subjetividade.

Aos 36 anos, o Padre Fábio de Melo, com o carisma que tem e a capacidade de ver o mundo com o observatório espiritual que Deus privilegiadamente colocou em sua mente fértil, será com certeza um dos futuros notáveis da Igreja Católica.

Na música, que é mais um capítulo da obra que Padre Fábio de Melo está construindo, surge um astro na expressão digna da palavra, que contribuirá para a divulgação da mensagem cristã, cantando e pregando ao mesmo tempo, além de valorizar a própria música, provando que a seriedade tem vez nesse universo conturbado pela degeneração de ritmos e gêneros musicais.

Padre Fábio de Melo canta bem qualquer bom gênero musical, já tem uma longa carreira, larga experiência, em que pese a pouca idade.

Que Deus continue iluminando o jovem sacerdote, espargindo sobre ele as graças divinas, porque é a humanidade e o sentimento cristão que ganharão com o que ele sabe e pode oferecer.

 

December 05

Artigo

BENTO OU BENEDITO?


Na dúvida, procurei pesquisar sobre a tradução do nome do Papa(Bento ou Benedito) para o português e a razão pela qual o Vaticano denominou de Benedictus, em latim, Benedetto, em italiano, Benedict em inglês, Benedicto, em espanhol, Benedikt, em alemão, sobrando para o nosso idioma o nome de Bento.

Benedito, a palavra, não o nome próprio, significa bem-dito, bendito, ou seja, dito bem, particípio passado de “bendizer”. O termo “bento” é particípio passado de “benzer”, agraciar, dar as bênçãos. Dentro desses significados, achava que o nome do Papa seria Benedito XVI e que a tradução teria sido uma disfarçada reação preconceituosa por ser São Benedito um santo preto.

Contudo, indo à raiz etimológica das palavras “bento” e “bendito”, descobri que o radical é o mesmo para uma e para a outra palavra. Tanto “bento” quanto “benedito” significa aquele que recebeu as graças do Senhor, que foi benzido, ou seja, bento, assim como foi bendito, tanto quanto abençoado. Enfim, são sinônimos. Por isso, a ordem criada por São Bento de Núrcia é chamada de “ordem dos beneditinos”, cujos frades são párocos nos Mosteiros de São Bento.

São Benedito, o santo preto, por ser um preto santo, tem esse nome provavelmente não de batismo. O cidadão que foi canonizado recebeu o nome de São Benedito, como poderia ter recebido de São Bento, dada a mesma raíz etimológica.

Dá uma certa confusão na cabeça da gente, mas a formação das palavras e sua aplicação nos vários idiomas, mesmo as que têm origem comum, vão tomando significado próprio ao longo do tempo e particular em cada nacionalidade. Por exemplo, “batizar”, dar o batismo, que pode ser, grosso modo, “batistar”, não vem de João Batista. É o contrário. João Batista, que batizou Jesus, é que se origina do grego “baptis”, jogar água no corpo, banho. Assim, como João fez “imersão, "ablução” em Jesus, recebeu o nome-título de João, o Baptista, o batizador. O “p” se perdeu no meio do caminho. Batismo, para a igreja, tornou-se um santo sacramento, mas, no inglês, a palavra “bath”, da mesma origem grega de “baptis”, significa “banho”. Daí, banheiro em inglês é “bathroom”.

Voltando a Benedito, há outra curiosidade em torno do nome. A expressão de espanto e perplexidade “Será o Benedito?” tem origem no folclore da política brasileira. Quando Getúlio Vargas tomou o poder à força nos anos 30, instituiu as interventorias, nomeando os “governadores” dos Estados, ou seja, interventores. Em Minas Gerais ficou todo mundo com medo de que o velho ditador nomeasse Benedito Valadares para interventor. Quando estava para sair a decisão, a interrogação tornou-se geral nas Minas Gerais: “Será o Benedito?”. E foi.

A expressão pegou como reação de espanto diante de um fato inusitado. Assim, fiquei perplexo quando, após a fumacinha preta, o Vaticano anunciou para o mundo: Habemus Papa! E, enquanto a repórter da Globo informava que era Bento XVI, eu ouvi o áudio original falando “Benedictus XVI. Perguntei comigo mesmo: Será o Benedito? E foi.



Crônica

Lições de Deus para crentes e não-crentes
 
 
Muitos milênios AC, Deus entregou a Moisés uma tábua com as seguintes recomendações: Amar a Deus sobre todas coisas; não invocar seu santo nome vão; guardar os domingos e festas; honrar pai e mãe; não matar; não pecar contra a castidade; não furtar; não levantar falso testemunho; não desejar a mulher do próximo; e não cobiçar as coisas alheias.

Jesus, ao seu tempo, ensinou: “Pai nosso que estás no céu, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, amém”.

Entre as muitas lições bíblicas e os muitos ensinamentos do cristianismo, as recomendações de Deus a Moisés e o que ensinou o próprio Cristo, destacam-se, não por maior ou menor importância, mas pela sabedoria que encerram e por formar uma base ética e moral para a conduta das pessoas, independente do seu credo ou até de não ter credo.

Para seguir as sábias lições, não é essencial que esteja permanentemente dentro de um templo religioso, digo do templo formal, porque, onde quer que estejamos, para nossa crença, o lugar torna-se templo, para reflexão, para oração, para meditação, para avaliação de como devemos ser como humanos, convivendo com os demais irmãos humanos.

Nas dez recomendações, enfeixadas pelo cristianismo como os Dez Mandamentos ou Decálogo de Deus, encontramos conselho e orientação de como devemos nos comportar no convívio coletivo, em sociedade, em harmonia com toda a humanidade. São pregações religiosas que os códigos laicos dos homens absorveram e colocaram no próprio conjunto de normas do direito, como doutrina, e nas leis, como código de conduta, cujo desvio será julgado e receberá condenação terrena, da reclusão, da exclusão do meio social.

Os dez mandamentos são seguidos pelas sociedades, pelos regimes temporais, em todas as nações, mesmo na diversidade de cultura, de crença, de modelo político-econômico-social, sofrendo represália, cada um à sua maneira, o cidadão que se desviar desse caminho delineado pelo Deus cultuado pelos cristãos e recepcionado pelas demais e diferentes formas de ajuntamento social.

A lição de Cristo, conhecida nos cultos religiosos como o “Pai Nosso” ou “Padre Nosso”, oração sublinhada em todos os atos onde se reúnem os crentes de todos os segmentos sacros, também resume, sob a forma de apelo ao Pai, um ensinamento que leva o crente à humildade, quando ouve ou diz que lhe venha o santificado nome de Deus, deseja que a vontade Dele prevaleça, tanto na terra como no céu. `

Apela pelo pão de cada dia, porque o corpo precisa de alimento físico-material para ter condições de absorver o pão espiritual. Pede perdão pelas ofensas que faz, assegurando que perdoa a quem lhe tem ofendido, como pede para não cair na tentação ou nas muitas tentações que a vida oferece e para livrar-se de todos os males.

O amém final resume todo o preito a Deus, o Pai, o protetor, que deseja e dá amor, paz, tranqüilidade, felicidade, harmonia, fraternidade, igualdade, justiça, enfim, os sentimentos que retira o homem do alcance da sedução do “outro lado”, o lado do satanás e suas ilusórias satisfações, seus enganosos prazeres, prazeres efêmeros cujos efeitos e conseqüências na verdade destroem o homem, seus sentimentos, sua personalidade, sua auto-estima, enfim, mata, antes da morte física, seu desejo de viver.

Para quem não crê que isso está na raiz da existência de um Deus, importa menos se, mesmo não praticando ou não pertencendo a culto nenhum, obedeça pragmaticamente às lições, por entender que a harmonia para a sociedade terrena depende do fiel cumprimento daquelas lições, por convicções de formação filosófica, ideológica, que lhe sedimenta na alma o sentimento da ética e da moral.

Crer ou não crer, não é a crucial questão. Ser ou não ser um ente ético e moral, eis a questão.

October 31

Teste

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José Virgolino de Alencar




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Artigo

Gestão do orçamento doméstico

 
Quando se fala em equilíbrio financeiro, muitos hão de pensar que se trata de situação restrita a uma empresa ou entidade governamental, ou seja, ao tesouro público. A expressão foi monopolizada pelos burocratas, tornando-se quase uma heresia o seu uso fora daquele terreno. Mas o cidadão de classe média que se debate ante uma perspectiva econômica mundial um tanto quanto sombria, com tremendos reflexos no panorama nacional, não pode deixar de se preocupar com o equilíbrio financeiro de seu tesourinho privado.

Administrando o binômio receita/despesa, sentindo o fenômeno da escassez de recursos frente às incontornáveis necessidades, o homem que vive de salário precisa segurar as rédeas de seu sistema financeiro doméstico. O equilíbrio desejado deve conjugar o ajuste das disponibilidades com um sensato equilíbrio patrimonial. Melhor dizendo. Não adianta segurar as despesas ao nível das receitas se não resultar nada em termos de bens de capital. Por outro lado, de nada serve muitos bens materiais em sacrifício do custeio da operação e manutenção da casa.

É irracional ter-se um carrão reluzente na garagem de uma casa modesta. É insensato ter-se um suntuoso casarão com um calhambeque na garagem. Ou dar banquete sob o desconforto de uma palhoça e andar a pé. Tudo isso é desequilíbrio, mesmo que o orçamento não esteja estourado. O negócio é dosar cada item do conforto e do lazer, moderadamente, tendo-se de tudo um pouco. Tudo que for essencial, útil. O supérfluo deve ser suprimido e sua dotação carreada para uma poupança, objetivando cobrir as situações eventuais.

O crédito decorrente deve ser usado, sem concorrer para o desequilíbrio orçamentário e financeiro. Com a finalidade de suprir eventuais insuficiências de caixa, numa antecipação de receitas, o crédito adicional é útil a fim de evitar pesada compressão no custeio. Elegendo o equilíbrio como obsessão, o administrador doméstico periga cair em situações incoerentes. Tentando, por exemplo, pagar bem e em dia a sua folha de pessoal(cozinheira, arrumadeira, babá, etc.) o gestor das contas domésticas poderá comprimir em demasia os custos, reduzindo a alimentação, os vestuários, materiais de rotina, asseio e higiene, etc.. Dessa maneira, afetará a tranqüilidade do lar. Haverá aí um falso equilíbrio financeiro.

Outro cuidado que o administrador de fundos domésticos deve ter é o de não se iludir com o crescimento das receitas, oriundo apenas de correção inflacionária. Nesse caso, o aumento de salários dificilmente compensará o acréscimo de seus custos individuais. Muitos jactar-se-ão de que sua habilidade lhe dará mais recursos e que a contenção imposta conduzirá ao equilíbrio programado, certamente ganhando IBOPE no seu fã-clube caseiro. Acontece que uma redução de gastos sem avaliar a necessidades deles e as conseqüências advindas, ameaça estabelecer a desarmonia doméstica.

A situação pode complicar-se mais ainda se essa contenção atingir dotações relativas a mesadas, principalmente de filhos e seus irrecusáveis divertimentos. Além do mais, Educação e Saúde dos membros da família são prioritárias e incompressíveis. O filho turista e/ou o que gasta para aparecer em colunas sociais podem ter suas mesadas reduzidas ou até cortadas totalmente, por serem supérfluas. Se a mesada exige um crédito suplementar, este deve ser negado se a fonte de cobertura for o corte da educação e da saúde. Crédito suplementar só com superávit de receita.

Como vêem, a administração doméstica utiliza a metodologia da administração pública. Afinal, aquela é uma célula desta e o equilíbrio de uma proporciona o equilíbrio da outra. As regras informais da gestão doméstica, fruto de uma praxe secular, inspiram as leis e normas formais da administração pública ou empresarial, mesmo porque recursos privados vão para o tesouro público através de impostos, enquanto recursos públicos também vão para o tesouro doméstico via rendas e salários.

Por fim vale lembrar que “economia”, etimologicamente, significa “governo da casa”. Assim, ambos os segmentos sócio-políticos têm tudo a ver.


Artigo

C P M F -Contribuição ou tributo?

Por José Virgolino de Alencar

No sistema tributário brasileiro, o imposto(substantivo) é imposto(verbo) goela a baixo do contribuinte-cidadão, que dele não escapa nem na hora da morte, pois há até taxa(tributo) para se enterrar e ser despachado para o Além. Na definição jurídica do direito tributário, o conceito de tributo se desdobra em imposto, taxa e contribuição de melhoria. A de “melhoria” é a única contribuição conceituada como tributo e é cobrada em razão da valorização de um bem imóvel em decorrência de um serviço público realizado na área onde o bem é situado.

Os tributos(imposto, taxa e contribuição de melhoria) instituídos ou aumentados num exercício só podem ser cobrados no exercício seguinte. As contribuições não consideradas como tributo(contribuições econômicas, sociais, previdenciárias, assistenciais, etc.) podem ser criadas, aumentadas e cobradas no exercício de sua instituição.

Por conta dessa brecha legal e em face do eterno buraco nas contas públicas, os governos foram instituindo contribuições as mais diversas, visando cobrir, de imediato, os déficits públicos, crônicos, incuráveis. Num desses momentos cruciais, o governo Fernando Henrique inventou a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira-CPMF, com alíquota baixa e por um período inicialmente previsto para ser curto, com a acirrada oposição do PT.

Embora mantendo-se como provisória no nome, ela foi ficando, sendo renovada e adiada a sua vigência. Assumindo o Poder e renegando o seu passado, o PT abraçou a bandeira da CPMF, conservou a cobrança e aumentou a alíquota.

Estando para vencer mais um prazo, o governo movimenta céus e terra, alicia parlamentares, libera recursos para os membros da base de apoio e chega até a blindar figuras como Renan Calheiros e suas incríveis histórias para boi dormir tentando agradar a banda fisiológica do PMDB, tudo isso para assegurar a prorrogação da CPMF até 2011.

Assim, de provisória a contribuição passou a permanente, obrigatória e universal, com todas as características jurídicas de tributo, marretando o art. 150, inciso III-letra “b”, da Constituição Federal. O governo deu, por conta e risco próprios, caráter tributário à CPMF e, passando uma borracha no dispositivo vedacional da Carta Magna, aumenta e cobra o(para todos os efeitos jurídicos e doutrinários) tributo no mesmo exercício.

O ato impune do governo, que encontra guarida nos tribunais superiores, é apenas mais uma das absurdas ilegalidades em que vive acintosamente a gestão dita da esperança, na realidade o reino da lambança e do lamaçal.

A CPMF é, data vênia dos juristas, um tributo com vício de origem e com mais vícios na sua administração, no aumento da carga e na cobrança em cascata. Mas, convenhamos, vícios e desvios de conduta no Brasil não são pecados.

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Virgolino
October 07

Crônica sobre Fofoca

Porque sei, não sei porquê

Por José Virgolino de Alencar

No mundo informatizado, com as informações nos chegando em tempo real, numa incrível velocidade e num incomensurável volume, a gente fica sabendo de cada besteira, toma conhecimento de forma bombardeada de futricas, fofocas, diz-que-diz, ti-ti-ti, notícias normalmente desinteressantes, mas que despertam a nossa curiosidade e faz com que o leitor/internauta pare, leia, memorize e até comente. É essa força da comunicação que misteriosamente nos atrai, como um efeito gravitacional, e nos faz girar em torno da onda com uma certa dose de basbaquice.

Procurando me informar via internet, como em jornais, revistas e TV, vejo um monte de manchetinhas falando da vida das pessoas públicas e não resisto em acessar, ler, ver ou ouvir. É nesse contexto que tenho conhecimento do que dizem, do que fazem, do que pensam os artistas(atores, cantores, modelos, badaladores e badalados em geral), os jogadores de futebol, como políticos e empresários em seu lado privado.

Eu sei, e nem sei porque sei, que Gisele Bündchen, depois de um tempo com Leonardo di Caprio, namorou o americano Christian Slater e já mudou para um astro do Beisebol, também americano. Sei ainda que Paris Hilton já tirou a roupa em público, para revistas, e em particular, para um filmezinho íntimo com o namorado, já beijou Britney Spears, Madonna, namorou e brigou com Carmen Electra e fez várias estrepolias em boites, tendo sido presa.

Sei que Britney Spears, antes pura e virginal como nossa Sandy, andou aprontando, aos beijos e abraços com outras cantoras e atrizes, tirou a roupa num táxi e se deixou fotografar por um paparazzi, exibindo a perereca branquinha, descontraidamente.

Sei que Carmen Electra, em sua luta para ser estrela de Hollywood, namorou Denis Hodman e levou dele belas surras, até que foi abandonada, mas, não perdeu tempo e se jogou nos braços de outros artistas, um a cada mês. Sei que Janet Jackson mostrou, “descuidadamente”, o peito para a platéia, num show musical. Bombardeada pela crítica, Janet, irmã do não menos chiliquento Michael Jackson, caiu em depressão, engordou muitos quilos, fez tratamento, emagreceu e resolveu soltar a franga cantando totalmente nua num clip.

Sei que Robert Downey Jr.(Ator dos bons filmes The Marshalls-‘Os Federais’- e Carlitos) tem a carreira marcada pelo vício e está aos poucos sendo destruído pelas drogas, ainda jovem. O mesmo ocorre com Charlie Sheen, para desgosto do pai e bom ator Martin Sheen, como do irmão ator Emílio Estevez.

Aqui no Brasil, sei que Deborah Seco, de Lolita da Televisão, está virando uma D. Lola, ou seja, está mais para matrona dona de Bordel, de tanto trocar de parceiros, do que para atriz e para desempenho de papéis dignos. Sei que Juliana Paes vestiu-se de personagem dos tempos imperiais, mas sem calcinha, e aí, quando o vestido voou ao sopro do vento, exibiu o xibiu, diga-se, bastante cobiçado.

Sei que Simony, depois de apresentar programa para crianças, caiu na gandaia, casou com um traficante preso e quis convencer a sociedade a solidarizar-se com o bandido, querendo libertá-lo. Mas nem esquentou a luta, trocou o bandido por outro namorado e vive na televisão deitando falação sobre moralidade, insistindo em impor seu jeito escrachado e seu comportamento que é um mau-exemplo para a juventude.

Em matéria de mostrar bunda, peito e xavasca(como diz Ary Toledo), sei que o fizeram as Sheilas, Luana Piovani, Juliana Paes, Luma de Oliveira, Nívea Maria, Dercy Gonçalves, e muitas outras. Sei de muitos fuxicos sobre Xuxa, Claúdia Raia, Lúcia Veríssimo, Ângela Ro Ro, a cantora Simone e vai por aí, como também dos Ronaldinhos e das Ronaldinhas, sem falar de Daniela Cicarelli, cuja dança erótica sob as ondas do mar de Espanha todo mundo viu no Youtube.

Embora fato passado, fiquei sabendo que Roberto Carlos teve caso com Maísa Matarazo, uma deusa da música brasileira, de vida agitada, acidentada, morta numa trombada de carro. E que o Rei é pai da "filha" de Denner.

Enfim, isso é apenas um pequeno exemplo do que sei sobre fatos que não me acrescentaram nada em termos de boa informação e de formação cultural, mas que não posso deixar de confessar a curiosidade, quase mórbida até, de procurar saber.

Porque sei disso eu não sei. Sei que sei, mas não sei porque sei. Dilema socrático? Ou a patologia humana pela fofoca?

Não sei. Mas, me contem a última do Clodovil!

Artigo - Governo

NOVELHO - o novo que é velho

Por José Virgolino de Alencar

Os adeptos do Governo Lula/PT tentam convencer o país de que está sendo praticada uma política nova, um modelo moderno na gestão pública, uma diretriz renovada na política econômica. E ainda, de forma que chega às raias do absurdo, argumentam que é o governo da ética e da moral. Nunca se viu avaliação tão fora e tão na contra-mão da realidade.

O governo empossado em 1º de janeiro de 2003 foi alçado ao poder na onda de um fenômeno eleitoral e de uma expectativa apoiada na esperança de que muita coisa mudaria, de que o novo ideário daria uma guinada para a esquerda socialista conciliada com a democracia liberal. Mas, até pelo arcabouço estrutural, institucional e legal vigente no país, sabia-se que isso seria impossível, inconcebível mesmo.

O governo se obrigou, ao tomar posse, respeitar a Constituição, as leis, os princípios que norteiam a democracia brasileira, com prevalência da livre iniciativa, competitividade e a exigência de manter o país inserido no contexto da globalização econômica, onde o mercado é que dá as cartas do jogo. O presidente desfez na posse o que pregara na campanha. E o sistema encarregou-se de enquadrá-lo.

Assim, na gestão orçamentária e na execução financeira, não teve e não tem como deixar de cumprir as normas da velha Lei 4.320, de março de 1964, em pleno vigor, conjugada com a Lei Complementar 101/2000(Lei de Responsabilidade Fiscal). Na política fiscal-tributária, o governo não pode fugir de outra antiga norma, a Lei 5.172/66(Código Tributário Nacional).

A estrutura da máquina administrativa pública é definida rigidamente na Constituição Federal(arts. 37, 38, 39, 40, 41 e 42) e, mesmo com emendas, não sofreu mudança na filosofia, não se alterou o modelo na essência. Nada apareceu de novo na área da educação, na saúde, na infraestrutura, aeroviária, rodoviária, ferroviária, portuária e hidroviária, a não ser o sucateamento e fossilização desses setores.

Como, então, se dizer novo em estruturas velhas, carcomidas, ultrapassadas? É um engodo, uma mentira, e esta tem pernas nanicas. A novidade foi o triste aumento dos escândalos, gestados nas entranhas da máquina pública, onde, em todos os casos, encontrou-se metido alguém importante do governo e de sua base aliada.

De Valdomiro, do mensalão, do valerioduto, do dinheiro na cueca, dos forjados empréstimos do Banco Rural, do verasduto(Caso Zuleido Veras que derrubou o ministro Rondeau), do caos aéreo, até o atual Renangate e sua boiada virtual, o governo esteve sempre enrolado em denúncias, em episódios suspeitos, valendo-se da surrada tropa de choque para blindar os membros mais importantes do sistema de poder.

Aliás, a história dos negócios pecuários virou mania nos aliados do governo. Além de Renan, apareceram com bois virtuais os Senadores Joaquim Roriz e Leomar Quintanilha. A pecuária dos políticos, embora ninguém veja os bois, é a mais rentável do mundo e a que tem a melhor tecnologia para criar bovinos de qualidade que faz inveja ao primeiro mundo..

O Brasil vive essa enganação e, pasmem, com a perspectiva de longeva durabilidade. É o novo com cheiro de mofo e incrivelmente imune à dedetização. Mas, para este governo, vale, pela atualidade, a frase de Eça de Queiroz, dita por um personagem de O Conde de Abranhos:
“O governo não cai, porque não é um edifício; sairá com benzina, porque é uma nódoa”.

Artigo sobre Economia

Crescimento econômico X desenvolvimento social.

Por José Virgolino de Alencar

Pouco se discute, mesmo entre os especialistas, a diferença conceitual entre crescimento econômico e desenvolvimento social. O desenvolvimento social é conseqüência, mas não necessariamente inexorável, do crescimento econômico. Uma nação pode crescer economicamente, aumentar o seu PIB, mas não desfrutar de desenvolvimento social.

 O crescimento econômico se dá pela geração e acúmulo de riquezas, nem sempre oferecendo qualidade ao desenvolvimento social, porque os bens produzidos ficam concentrados nas mãos de poucos cidadãos que não cedem para os demais segmentos da população, deixando um número significativo de pessoas excluído da divisão do bolo da riqueza nacional.

 Quando isso acontece, e acontece muito nos países do terceiro mundo, há crescimento econômico, mas não há desenvolvimento social. Este é representado por melhoria nas condições de vida da população, com educação e saúde de qualidade e universais, ou seja, oferecidas igualitariamente a toda a sociedade. Há que se ter, se quer dizer-se desenvolvido, boa infraestrutura aeroviária, rodoviária, ferroviária, portuária e hidroviária, permitindo que os produtos cheguem a todos os recantos do país e as pessoas possam transitar por todo o território e até para o exterior.

Para isso,  a população deve ter renda, originada do crescimento econômico, mediante paga justa do trabalho, do emprego, e tenha qualificação para o exercício e execução de suas tarefas. Faz-se necessário o acesso à tecnologia moderna, aos meios de comunicação e a população seja esclarecida e sadia para entendê-los.

O Brasil vem crescendo economicamente, dispõe de um PIB situado entre os 15 países mais ricos do mundo, mas não apresenta adequado grau de desenvolvimento social. Nos índices de qualidade de vida, de nível de renda, de inclusão social, enfim, de indicadores sociais, o Brasil situa-se na posição que passa dos 100 piores do mundo.

 A política de crescimento econômico, impulsionada pelo mercado globalizado, à margem do governo, produz bons resultados e nisso o país é rico. Quando o governo entra para promover o desenvolvimento social, aí a coisa torna-se desastrosa. A política de juros, a cambial, a monetária, a fiscal-tributária, ou seja, a ação governamental institucional não muda o panorama quanto à concentração da riqueza na mão de poucos.

Há uma tímida transferência de renda para a classe média especializada e esclarecida que sustenta o mercado de consumo e suporta a carga tributária, mas é também pequeno o número de pessoas nesse segmento, enquanto uma multidão imensa é excluída, uma parte não recebendo nada e outra vivendo de esmola.

 Eis aí a diferença entre crescimento econômico e desenvolvimento social. O primeiro é fruto da ação das forças do mercado. Vai bem. O segundo, pela inércia do governo, vai mal.

 

Crônica sobre a palavra

O LIDAR COM A PALAVRA

             

José Virgolino de Alencar

 

Lidar com a palavra, no sentido de expressar o pensamento, expor idéias, defender convicções e princípios, é fascinante, mas tem suas complicações e complexidades. Stendhal diz que o homem criou a palavra para esconder seu pensamento. Não deixa de ser verdade, porque muitos homens, até pensadores talentosos, dissimulam o verdadeiro sentido do que estão dizendo através do uso da palavra sob forma de sofisma ou uma refinada dialética.

 

Afirma Drummond que “Lutar com palavras / é a luta mais vâ, / entanto lutamos / mal rompe a manhã”. Muitas vezes nos abate esse sentimento de que lutar com a palavra é uma tarefa vã, inútil, ineficaz, mas para quem tem verdadeiro amor por ela, a palavra, continua a sua luta, logo ao amanhecer, utilizando sua arma eficiente, a força da palavra.

 

Pode a palavra ser amoldada a caprichos, a desejos, a estratégias, nem sempre revestida da melhor recomendação, seja ética ou moral, porém não é por isso que ela perde sua importância, que ela deva ser silenciada, abafada, amordaçada. Mesmo ajustada a situações que tencionam evitar os mal-entendidos ou os efeitos desagradáveis, jamais ela deve ser censurada, proibida. Com uma palavra leve podemos expressar uma idéia pesada. Por exemplo, quando se diz que um fulano “faltou com a verdade”, na realidade estar-se-á afirmando que o fulano é um “mentiroso”.  Por outro lado, segundo Olavo Bilac, “a palavra pesada abafa uma idéia leve”. Essas acomodações da palavra a circunstâncias que podem traduzir-se em uso inadequado, repito, não lhe tira o brilho, o fascínio, a força e seu vital papel no próprio viver da humanidade.

 

Os políticos são os mais useiros e vezeiros na deturpação do sentido das palavras. As raposas da política entortam seu raciocínio, dão voltas na língua, quando querem escapar de situações vexatórias em que são flagrados cometendo deslizes ou tendo comportamento aético e amoral. Nessas horas, o conceito de prova, de documento e testemunho probantes da safadeza, adquire o estranho sentido jurídico de insuficiência processual, de insubsistência instrucional, permitindo ao meliante escapar da punibilidade, por outro conceito absurdo de proteção garantida pelo instituto da imunidade que assegura a impunidade.

 

Até no campo da erudição há desvio no uso da palavra, porque nem sempre a pessoa, por ser sábia, prima pela boa ética ou bom caráter e, nessa condição, faz da sapiência escada para atingir objetivos inconfessáveis, artificializando o manejo com a palavra. O sofisma, que é o raciocínio através de argumento aparentemente válido, mas não conclusivo ou de conclusão travestida de má-fé, é uma criação de sábios. Também encontramos pessoas iletradas que demonstram capacidade de raciocínio, mesmo intuitivo, com certo grau de perfeição.

 

Nos tribunais, principalmente nos júris, onde há embates entre acusação e defesa de réus, é comum assistir-se as duas vertentes no uso expositivo e oral das palavras. Uns caminham apoiados em argumentação lógica e de respeito à ética e à moral, com brilhante explanação de suas idéias e articulação erudita das palavras. Outros tentam, na esperteza, expor raciocínio com enfeites e penduricalhos lingüísticos, mal elaborados, verdadeiros sofismas, para não dizer enrolação na linguagem.

 

Todas essas nuances quanto ao uso da palavra, seja, bom uso ou uso desvirtuado, não deve ser motivo de desânimo para quem gosta e sabe manejar a palavra pelos caminhos lógicos, corretos, éticos.

 

Enfim, sempre vale a pena lidar com a palavra.

 

 

July 14

O MUNDO PITORESCO DOS COLETIVOS

O Artigo/Crônica a seguir, em três partes, concorreu ao Concurso de Reportagem do Jornal O NORTE, de João Pessoa-PB, em 1976,  recebendo "Menção Honrosa".

José Virgolino de Alencar - O Autor.

 

 

O MUNDO PITORESCO DOS COLETIVOS - I

 

Durante alguns dias, saí tomando os coletivos de nossa cidade. Pretendia fazer uma reportagem sobre o sistema de transporte de massa e as conseqüências que seu mau funcionamento traz para os cidadãos de uma metrópole emergente como João Pessoa. Andei, assim, atento aos vários aspectos de um sistema que diariamente força a convivência, nos limitados recintos das carrocerias, de pessoas de diferentes classes sociais, bastante diversificadas nos seus problemas e comportamentos.

Alguém já disse que a multidão é um monstro de múltiplas cabeças. Em festivais, comícios, cinemas, onde quer que estejam reunidas pessoas de meios e classes heterogêneos, vemos comprovada aquela afirmação. Na hora das vaias, todo mundo grita. Nos bingos que tempos atrás eram realizados nas praças da cidade, os números que insinuavam duplo sentido eram recebidos com gritos e assobios da massa ignara. Em proporções menores, a massa de passageiros dá os seus berrinhos. Principalmente quando a maioria é de estudantes. Sai palavra de baixo e alto calão, espinafram a mãe do motorista e do cobrador, quando não a do colega.

Os coletivos, todos sabem, tem a virtude de não esgotarem a lotação. Sempre cabe gente. Surge, então, a briga pelo pedacinho de ferro onde se quer segurar. Há ocasiões em que a gente bota a mão e não consegue mais tirar. Falta espaço até para se mexer. Onde cabe um tem três, naquela simbiose de casal de namorados. O sujeito que está lá atrás e pede parada sabe que vai sofrer para sair. O cara mais vivo aproveita aquela freada que o motorista dá para ser espirrado do veículo. Ocorre, muitas vezes, que os ônibus velhos não têm freios, parando a quilômetros do ponto desejado. Naturalmente o cara salta duvidando da competência do motorista, mas não é louco de falar nada. Reclamou, o pau cantou-é o slogan dos motoristas.

Ruim mesmo é quando entra um bêbado, raciocinando contra a lógica do coletivo e querendo ocupar o lugar de duas pessoas. Pisa o pé do vizinho, passa a mão onde não deve e dá alguns porres de cachaça, achando, ainda, que está sendo perturbado. Pelo menos ele faz o que os outros passageiros têm vontade – desabafam alguns bons desaforos em cima do motorista.

Às vezes, senta ao lado da gente um cara com vontade de extravasar algum problema e desfila uma conversa fiada, desagradável – um saco. Nos dias de feira, há os que levam o balaio, porque não sobrou nada para o táxi. Os feireiros tomaram tudo.Os coletivos da Cidade Universitária são característicos, tendo em vista a exclusiva clientela de estudantes. Estes levam tudo na gozação, reagindo com bom humor até na hora do perigo. E o perigo existe quando os ônibus descem a encurvada ladeira do Castelo Branco. Os motoristas aumentam a velocidade, botam o veículo na banguela e a menor coisa que pode acontecer é o passageiro ficar banguelo. Pois, no dia em que um daqueles ônibus sobrar na curva e tomar o rumo do rio Jaguaribe, o vôo que dará é suficiente para chegar ao céu. Bem, pelo menos chegarão lá os que não tiverem muitos pecados. E nesta viagem para o Além, o diabo é que vai.(Continua)

O MUNDO PITORESCO DOS COLETICVOS - II

 

A linha da Ilha do Bispo, que não é ilha e nunca foi de Bispo nenhum, dispõe dos mais velhos e acabados coletivos da cidade. Talvez já não causem mais perigos, já que não podem correr - o motor não agüenta. As ruas da Ilha, esburacadas, são uma ameaça aos rins do passageiro, tanto são os sacolejos. É provável que os donos dos coletivos estejam loucos para fazer uma troca d’ilha.

Para Bayeux, a gente toma o coletivo sempre lembrando que a ponte sobre o Sanhauá ameaça cair. Feita para passar carro de boi, ainda hoje resiste às gigantescas carretas, com milhares de toneladas. E não cai. Depois da ponte, entra-se no Corredor da Morte, uma rua estreita e sinuosa, dando a impressão de que foi feita para o trânsito de bicicleta. Passam dois veículos, mas ninguém explica como.

Pegar uma praia na manhã de um dia quente, pode ser o quente, mas passa por algumas frias. Primeiro, a fila que sempre mede alguns quilômetros. Quando o coletivo chega no ponto, todo mundo entra. Aí começa a fria. Num aperto de fazer sardinha pular fora, vão uns caras de tangas, sungas, quase pelados, deixando cada um cismado com o que vai atrás. Um olha para o outro e com aquele olhar malandro, apela: consciência, oh cara! E no empurra-empurra consegue-se chegar à praia. Ainda bem que o arejamento que surge na areia compensa o sacrifício e a tortura da viagem.

Sem compensação e perigosas são as linhas de Mandacaru, Varjão e Oitizeiro. Fazendo frente à brutalidade dos motoristas e cobradores, sempre  aparecem alguns passageiros mais valentes e até bem armados. Vez por outra entra um crioulão monumental, parecido com uma estátua de Apolo que os antigos gregos esqueceram de esculpir e parente do gigante dos filmes de Maciste. Pois o Golias quando abre os dois postes (aquilo não são pernas), faz da gente um David imprensado num cantinho de cadeira do coletivo.

Os ônibus da Torre, que vão muito além do bairro e dão a volta nos confins de Tambauzinho, circulam em dois itinerários inversos-uns vão pela Adolfo Cirne (parte da Beira Rio), retornando pela Juarez Távora, enquanto outros fazem o contrário. O critério que os motoristas usam para alternar os itinerários não se sabe quem determina. A pessoa que mora na Juarez Távora e vê no ônibus a plaquinha indicativa daquela artéria, pode cair num logro. O motorista entra pela Adolfo Cirne e não dá a mínima para a reclamação do incauto. Este é obrigado a dar a volta ao mundo para chegar em casa. Tem mais. Quando dois motoristas da Torre se encontram, param os carros, ficam batendo um papo longo e irritante, enquanto a gente fica com cara de Adão sem Eva no Paraíso, ouvindo a serpente dizer que a maçã acabou.

Certa noite, tomei um coletivo da Torre e era uma dessas marinetes que anão em pé ainda precisava se curvar. Não tinha uma única luz, vinha usando a da Saelpa que em certas ruas também não ilumina. O cobrador, nessa hora, não tinha troco pra ninguém. Nas proximidades do Liceu, caiu a transmissão, o carro arrastou-se fazendo faísca no calçamento e finalmente parou. Essa a Prefeitura expulsou de circulação. Ficaram as grandes, embora nem tão boas assim.

Alguns coletivos, isto de todas as linhas, não têm freios nem luz, mas têm um rádio que está sempre ligado nos programas líderes no IBOPE. Tocando Waldick Soriano, Teixeirinha, Nelson Ned e similares ou transmitindo os berros de uns caretas que compraram a verdade e se autonomearam defensores e guardiães da sociedade e na sua lógica mediana apresentam soluções para os problemas que todos os estudiosos do mundo ainda engatinham no seu entendimento. A gritaria idiota agride o ouvido de qualquer cristão que no seu bom senso se vê mais enganado do que defendido.Dessa maneira, os transportes coletivos vão servindo à população, a quem resta esperar que o progresso da cidade não se veja arranhado pela má utilização do sistema viário, cujos efeitos equivalem à circulação do sangue no corpo humano. Congestionando demais em certas artérias pode causar o enfarte.(Continua)

O MUNDO PITORESCO DOS COLETIVOS - III

 

Mas, uma curiosidade me assalta a mente – saber como são os coletivos das grandes metrópoles do mundo. Do Brasil não preciso, a imprensa comprova que o problema é um só, tanto faz João Pessoa, Rio ou São Paulo. Contudo, será assim em Nova York, por exemplo? Em Londres, parece que os ingleses gostam – os ônibus são de primeiro andar. Com aquela fleuma, inglês por aqui andava a pé. Os italianos são muito parecidos com os brasileiros – pelo menos a algazarra é a mesma, quando se juntam. Na Rússia é o contrário, deve ser tudo silêncio nos coletivos. Nos de Portugal, agora já se pode falar.

No Oriente Médio, a coisa não se deve estar boa para o passageiro. Há o perigo de sentar-se em cima de uma bomba ou ser seqüestrado pelos palestinos. Na Argentina, além de bomba e seqüestro, estão mandando bala, torrando mesmo. Enquanto na Suécia o papo em coletivo deve ser bom. Dizem que o sueco só fala de amor e a sueca nem se fala. Os dinamarqueses devem exibir aqueles filmezinhos pornô até nos coletivos. Pois em toda Copenhague, é só o que dá.

Muito bagunçados são uns restos de ônibus que circulam por Katmandu, no Nepal, conduzindo hordas de hippies e desocupados, atraídos pelo “paraíso” dos tóxicos, este terrível fascínio para a juventude desencontrada de nossos dias. Os tais calhambeques, psicodelicamente pintados, parecem aqueles apresentados pelos circos e que na primeira acelerada voa pedaço de carroceria pra todo lado.

Nos Estados Unidos, onde enquanto da maternidade sai um menino, das fábricas saem dois automóveis, coletivo não tem vez. Se colocarem ônibus nas ruas de Nova York, por onde eles passarão? De tanto carro, já não sobra mais nada para o pedestre, se é que há pedestre. Quem não anda de carro em cima da cidade, anda por baixo no tatuway que o americano chama de subway, o brasileiro de metrô, mas em bom vernáculo é mesmo caminho de tatu. Talvez seja perigoso tomar um “bus” nas cidades do oeste americano – pode aparecer um gaiato com a mania de faroeste, empurrar o cavalo atrás do ônibus e de colt em punho ameaçar: “come here, boy” que o medo traduz por “mãos ao alto” e Waldick Soriano por “camendiboi”.

Melhor mesmo é voltar ao Brasil e visitar Curitiba, onde o Prefeito Jaime Lerner abriu uma avenida expressa, exclusiva para o trânsito de coletivos. Os motoristas devem correr tanto que não sobra tempo para xingar o passageiro. Ainda por cima, o Detran curitibano colocou câmeras de TV nas ruas para fiscalizar os motoristas. Se isso não resolver, aconselho os dirigentes: entreguem o problema a Deus, arrumem as malas e vão baixar no terreiro do Padre Merrin, o exorcista do livro de Peter Blatty.

Em Recife, que os pernambucanos considerem a metrópole do Mundo, existem os ônibus elétricos que bem a propósito economizam gasolina, circulando por itinerário bitolado e não atrapalham ninguém. Os motoristas de automóveis é que costumam atrapalhá-los. O chato é quando a companhia de eletricidade sonega a energia e os veículos têm de parar, obrigando o pedestre a usar o footbus, ou seja, as canelas.

De tudo isso, só podemos tirar uma conclusão nostálgica. Desejar viver o bucolismo da cidade antiga, andando no Landau puxado a burro, com o cocheiro gentil e cortês curvando-se à nossa subida no veículo e sendo um túmulo de discrição, principalmente quando ao nosso lado estava alguém que assim o exigia.

Madame Bovary que o diga.



 
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